O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) visa reforçar a robustez social, económica e territorial, bem como acelerar a dupla transição digital e climática.
A Infraestruturas de Portugal (IP) posiciona-se de forma privilegiada, como o maior agente nacional da Componente Infraestruturas para assegurar um território mais competitivo e mais coeso, em concreto, com um grande esforço de investimento nas Ligações transfronteiriças e Acessibilidade das Áreas de Acolhimento de Empresas indispensáveis para afirmar a centralidade do interior português no contexto do mercado ibérico, bem como a conclusão de ligações em falta.
Para além das ligações diretas, a maioria dos investimentos contribui para melhorar a acessibilidade aos principais corredores e, assim, aos portos e ferrovia, reduzindo também os custos de contexto para a atividade empresarial.
A IP participou com o Governo no desenvolvimento de um rigoroso processo de seleção de projetos que otimizam a capitalização de fundos disponíveis para alavancar a Componente Infraestruturas e, após consulta pública, Portugal foi o primeiro Estado-Membro a entregar a versão final do seu PRR à Comissão Europeia, em 22 de abril de 2021, versão essa que obteve oficial aprovação pela mesma entidade a 16 de junho de 2021. A aprovação final, pelos Ministros das Finanças, foi dada a 13 de julho de 2021, o que tornou Portugal no primeiro Estado-Membro com o seu PRR aprovado.
O local escolhido pelo governo para a apresentação, a 17 de maio de 2021, da componente de Infraestruturas foi a sede da IP, em Almada.
A IP desenvolve, em concreto, empreendimentos em diferentes dimensões (Resiliência e Transição Climática), enquadrados em distintas Componentes e distintos investimentos, incluindo projetos rodoviários e ferroviários, enquanto beneficiário direto (ou seja, enquanto entidade pública responsável pelo lançamento de concursos públicos e pela execução dos projetos) que englobam um investimento total de 542 Milhões de Euros.
Investimentos rodoviários
"Missing" links e Aumento capacidade da Rede
Não obstante o elevado grau de concretização da rede rodoviária principal, a rede complementar encontra-se ainda por ultimar, com descontinuidades que penalizam o máximo retorno do investimento já realizado.
Estes projetos promoverão a redução de emissão de gases poluentes, através da eliminação de travessias urbanas e da adequação da capacidade da via, reduzindo tempos de percurso e congestionamentos, e reforçarão as acessibilidades aos grandes corredores e interfaces multimodais.
Realça-se o reforço das ligações ao mais importante porto nacional, em Sines. Este investimento, bem como os restantes no corredor do IP8 e IP2 integram a Rede Transeuropeia e potenciam investimentos já realizados.
Adicionalmente, regista-se a existência de regiões com carências de acessibilidade, em particular em territórios de baixa densidade, penalizando essas regiões que evidenciam assimetrias significativas, pelo que estes investimentos são igualmente importantes para reforçar a competitividade das empresas locais, contribuindo para o crescimento económico e reforçando, também por esta via, a coesão territorial.
Ligações transfronteiriças e Acessibilidade das Áreas de Acolhimento de Empresas
À escala ibérica, a cooperação transfronteiriça assume uma posição de destaque nas relações bilaterais, reconhecendo-se desafios comuns como a desertificação dos territórios ou oportunidades decorrentes da cooperação transfronteiriça, como o desenvolvimento de novos modelos de negócio.
Estas ligações contribuem para a dinâmica socioeconómica dos territórios junto à fronteira, criando condições para o usufruto comum de serviços ou infraestruturas, como a LAV em Sanabria ou o aeródromo de Bragança.
É, igualmente, crucial desenvolver condições para reforçar a competitividade territorial e promover a atração e fixação de empresas em diversos pontos do País, favorecendo um desenvolvimento mais equilibrado do tecido produtivo, reindustrialização desconcentrada no território e a otimização das cadeias logísticas.
Uma das principais formas de promover este desígnio passa por melhorar a acessibilidade rodoviária às AAE que ainda apresentam situações deficitárias para aceder aos grandes corredores, permitindo, em simultâneo, reduzir custos de contexto, fomentando a competitividade dos territórios onde elas se inserem e por fim, das empresas que nelas se fixem.
As acessibilidades rodoviárias são imprescindíveis para alavancar o investimento já efetuado nas próprias AAE já estabelecidas, constituindo o suporte mais adequado para garantir a circulação de mercadoria, de forma eficiente.
O investimento alavancará o desenvolvimento da mobilidade transfronteiriça e a redução dos custos de contexto – centrada na mobilidade dos trabalhadores destas zonas, contribuindo para que a fronteira constitua um fator de união, e não de separação.
Este esforço simboliza a forma coordenada como a articulação entre o investimento público e o esforço privado contribui para potenciar o desenvolvimento sustentado do nosso País.
A IP e a Estrutura de Missão Recuperar Portugal assinaram, a 15 de setembro de 2021, os contratos de financiamento relativos a três investimentos. Posteriormente, em maio de 2026, foi celebrado um novo contrato na sequência da fusão dos investimentos Ligações Transfronteiriças e Áreas de Acolhimento Empresarial – Acessibilidades Rodoviárias. No seu conjunto, estes investimentos representam um montante de cerca de 400 milhões de euros, valor que, entretanto, renegociado e ampliado para 443 milhões de euros.
Em todo o PRR foi salvaguardado o cumprimento dos requisitos em matéria ambiental, sendo desenvolvidos os estudos necessários não só para assegurar a prevenção e o controlo da poluição durante o ciclo de vida da infraestrutura, incluindo a fase de construção, mas também para soluções de projeto mais sustentáveis, contribuindo para a adaptação dos territórios às alterações climáticas e maior resiliência das infraestruturas, nomeadamente a fenómenos climatéricos adversos, através das mais adequadas escolhas no que respeita a traçado, drenagem, estabilização de taludes ou materiais a utilizar.
São investimentos com grande abrangência territorial e cuja concretização contribuirá fortemente para a coesão territorial, através da melhoria e construção de infraestruturas rodoviárias localizadas de Norte a Sul do país, entre Vinhais e Olhão e de Este a Oeste, entre Campo Maior e Arruda dos Vinhos.
A Componente 7, dispõe de um conjunto de 24 obras das quais, vinte e três empreendimentos já foram concluídos e encontrarem-se já ao serviço da população e das empresas, são eles:
- IC35 Penafiel (EN15) / Rans – abertura ao tráfego no dia 1 de julho de 2024;
- EN14 Maia (Via Diagonal) / Interface Rodoferroviário da Trofa – inaugurada a 12 de julho de 2024;
- EN344 em Pampilhosa da Serra – concluída a 21 de fevereiro de 2025;
- Variante à EN14 – Interface rodoferroviária / Santana (EN14), incluindo nova ponte sobre o rio Ave - abertura ao tráfego em 28 de junho de 2025;
- Ligação de Baião a Ponte de Ermida Troço – EN108. Lodão / Ponte de Ermida (Req.) – concluída a 19 de dezembro de 2025;
- EN4. Variante da Atalaia – abertura ao tráfego no dia 30 de dezembro de 2025;
- EN125. Variante a Olhão – abertura ao tráfego no dia 12 de maio de 2026;
- IP2. Variante Nascente de Évora – concluída a 31 de agosto de 2026;
- IP8 (A26). Aumento de Capacidade na ligação entre Sines e a A2, Troço – Relvas Verdes / Roncão - concluída a 28 de agosto de 2026;
- IP8 (EN259). Sta. M. Sado /Ferreira do Alentejo, incluindo Variante de Figueira de Cavaleiros - concluída a 31 de agosto de 2026;
- IP8 (EN121). Ferreira do Alentejo /Beja, incluindo Variante a Beringel - concluída a 31 de agosto de 2026;
- Variante à EN211 – Quintã / Mesquinhata - abertura ao tráfego no dia 28 de agosto de 2026;
- Ligação rodoviária à Área Industrial de Fontiscos e Reformulação do Nó de Ermida (Santo Tirso) – concluída a 23 de novembro de 2023;
- Variante à EN248 em Arruda dos Vinhos – abertura ao tráfego no dia 25 de março 2024;
- Ligação ao Parque Industrial do Mundão – Eliminação de constrangimentos na EN229 Viseu / Sátão – concluída a 14 de junho de 2024;
- Melhoria de Acessibilidades à Zona Industrial de Campo Maior – abertura ao tráfego em 19 de fevereiro de 2025;
- ER243 – Acessibilidades à Zona Industrial de Riachos – abertura ao tráfego em 9 de maio de 2025;
- Ligação da Zona Industrial de Rio Maior à EN114 – concluída a 30 de setembro de 2025;
- Ligação da Zona Industrial de Cabeça de Porca (Felgueiras) à A11 – abertura ao tráfego no dia 3 de outubro de 2025;
- Via do Tâmega – Variante à EN210 (Celorico de Basto) – abertura ao tráfego no dia 3 de outubro de 2025;
- EN103. Vinhais/Bragança. Requalificação – concluída a 18 de dezembro de 2025;
- Ligação ao Parque Industrial do Mundão – EN229 ex-IP5 / Parque Industrial do Mundão – concluída a 24 de fevereiro de 2026;
- Variante de Aljustrel – Melhoria das Acessibilidades à Zona de Extração Mineira e à Área de Localização Empresarial – abertura ao tráfego no dia 16 de junho de 2026.
Investimentos ferroviários
Digitalização do Transporte Ferroviário
Esta componente, Digitalização do Transporte Ferroviário, que integra a Dimensão Transição Climática, responde a vários desafios do setor dos transportes como a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e poluentes, a necessidade de reduzir a dependência dos veículos privados e a necessidade de garantir uma melhor coesão social nas zonas urbanas.
Mais especificamente, um dos objetivos deste investimento é tornar a linha do Norte da Rede Ferroviária Nacional (RFN) compatível com a nova linha ferroviária de alta velocidade (LAV) através da substituição dos sistemas eletrónicos de sinalização. Este investimento consiste na substituição dos sistemas eletrónicos de sinalização das estações de Campolide-Cintura, Oriente, Alverca e Azambuja.
Também o desenvolvimento e instalação nos comboios equipados com o Sistema Europeu de Controlo dos Comboios (ECTS) um módulo de transmissão específica (STM) que permita a interoperabilidade do ECTS com o sistema nacional de sinalização CONVEL, é outro alvo de abrangência do investimento, assim como a formação para os trabalhadores da Infraestruturas de Portugal no domínio da cibersegurança e a aquisição de equipamento de sistemas telemáticos, de telecomunicações e de sinalização.
Atualmente, este investimento integra 56 projetos e financiamento de 99 milhões de euros. Com os objetivos de substituição de sistemas eletrónicos de sinalização, desenvolvimento de um módulo de transmissão específica (STM), Capacitação e Implementação de Sistemas de Cibersegurança e desenvolvimento de sistemas de telemática, telecomunicações e sinalização.
Marcos e Metas
A execução do PRR mede-se pela capacidade de cumprimento dos Marcos e Metas definidas para cada Investimento.
A IP já cumpriu, com sucesso, todos os Marcos e Metas determinadas para os quatro contratos de Financiamento que a IP é beneficiária. Em detalhe as Metas concluídas foram:
- Conclusão de 111Km no investimento "Missing" links e Aumento capacidade da Rede;
- Conclusão de 30 + 42 km (devido à fusão dos contratos de financiamento) no investimento Ligações transfronteiriças e Acessibilidade das Áreas de Acolhimento de Empresas;
- No investimento Digitalização do Transporte Ferroviário a meta divide-se em: extensão das linhas ferroviárias com sistemas de sinalização eletrónica instalados na Área Metropolitana de Lisboa. (20 km), protótipo de um Módulo de Transmissão Específico (STM) construído e instalado em pelo menos uma locomotiva e aquisição de equipamentos, ou serviços, ou obras de construção para uma execução orçamental de, pelo menos, 24 600 000 de euros.