Projetos e Estudos de Conservação

Projeto LIFE LINES

O Projeto LIFE LINES - Rede de Infraestruturas Lineares com Soluções Ecológicas, com cofinanciamento comunitário, e coordenado pela Universidade de Évora, em Parceria com a Infraestruturas de Portugal, as Câmaras Municipais de Évora e Montemor-o-Novo, as ONG Marca e Quercus, e as Universidades de Aveiro e do Porto, decorreu na região do Alentejo Central e teve como objetivos ensaiar, avaliar e disseminar medidas para minimizar os efeitos negativos das infraestruturas lineares na fauna e, simultaneamente, promover a criação, ao longo das mesmas, de uma Infraestrutura Verde de suporte à conservação da biodiversidade, fornecendo habitats propícios para abrigo, alimentação e deslocação dos animais.

  • Outdoor do Projeto na EN4
    Outdoor do Projeto na EN4
  • Barreiras para elevar o voo das corujas
    Barreiras para elevar o voo das corujas
  • Sinal rodoviário de aviso de possibilidade de presença de anfíbios na via
    Sinal rodoviário de aviso de possibilidade de presença de anfíbios na via
  • Barreiras para encaminhamento dos anfíbios para as passagens hidráulicas
    Barreiras para encaminhamento dos anfíbios para as passagens hidráulicas
  • Controlo de vegetação invasora
    Controlo de vegetação invasora
  • Voluntariado ambiental
    Voluntariado ambiental
  • Voluntariado ambiental
    Voluntariado ambiental
  • Voluntariado ambiental
    Voluntariado ambiental

Ao abrigo do Projeto, que decorreu entre agosto de 2015 e maio de 2021, foram implementadas diversas medidas e soluções para alcançar os objetivos pretendidos, as quais foram monitorizadas em termos da sua eficácia, visando a otimização da relação custo-benefício das mesmas e a sua futura utilização na promoção da sustentabilidade ambiental da empresa. Como resultado desta monitorização, foram produzidos três Guiões de Boas Práticas.

 

Guiões de Boas Práticas

Boas Práticas de Soluções para Minimização de Impactes das Estradas na Fauna

Este guião reúne um conjunto de soluções implementadas e testadas no âmbito do projeto LIFE LINES, destinadas à minimização da mortalidade de animais por atropelamento e do efeito-barreira sobre as populações. São apresentadas as suas características, requisitos técnicos e relação custo benefício, ponderando a sua eficácia pelo custo de implementação e manutenção. Providencia uma base de trabalho para avaliação de alternativas que previnam impactes sobre a fauna em contextos de planeamento de novas estradas, requalificação de infraestruturas rodoviárias já existentes, ou mitigação de eventos de mortalidade localizados, contribuindo não só para a conservação da biodiversidade, mas também para a promoção da segurança rodoviária, precavendo acidentes decorrentes de encontros com animais de médio ou grande porte.

Esta informação é dirigida a entidades gestoras de estradas (concessionárias, autarquias), entidades responsáveis pela Avaliação de Impacte Ambiental de estradas (Agência Portuguesa do Ambiente, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), empresas de projetistas, de consultadoria ambiental, de construção e manutenção de estradas, e outras entidades que promovam a implementação de boas práticas ambientais.

 

Monitorização e Registo de Dados da Vegetação para a Promoção e Biodiversidade em Infraestruturas Lineares

Reúne e apresenta os procedimentos mais recomendáveis para a gestão da vegetação das zonas marginais associadas às infraestruturas lineares, as quais constituem uma das principais causas de fragmentação e de perda de habitats naturais, constituindo, ainda, um meio privilegiado para a introdução e disseminação de espécies de flora exótica invasora. É, portanto, essencial que a gestão destas zonas verdes seja orientada para o controlo da vegetação exótica invasora, para a promoção de vegetação nativa, e para a criação de áreas de refúgio para fauna e de corredores ecológicos, contribuindo para o aumento da conectividade da paisagem. Para tal, é necessário arranjar soluções que conciliem a existência das infraestruturas lineares com a conservação da natureza, especialmente em áreas onde as paisagens naturais ou seminaturais estão degradadas e em declínio devido à intensificação do uso do solo por atividades humanas.

Este guião tem por base a experiência adquirida ao longo do projeto LIFE LINES, e inclui informação técnica dirigida a entidades gestoras de estradas, caminhos pedestres e de linhas de muito alta tensão (concessionárias, autarquias), a responsáveis pela Avaliação de Impacte Ambiental de infraestruturas lineares (Agência Portuguesa do Ambiente, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), a técnicos da área do paisagismo e operações agroflorestais, bem como informação dirigida ao público em geral.

 

Boas Práticas para Monitorização e Registo de Dados de Mortalidade de Fauna por Atropelamento

Reúne e divulga os procedimentos inerentes à recolha e processamento de informação relativa a observações de fauna atropelada, tendo como base a experiência adquirida ao longo do projeto LIFE LINES e outros anteriores, como o projeto MOVE da Universidade de Évora. Aborda os aspetos básicos relativos à implementação de um plano de monitorização de fauna atropelada, sendo direcionado sobretudo a atores nas áreas de monitorização ambiental, tal como é o caso da IP que desenvolve um Programa de Monitorização de Mortalidade ‎de‎ Fauna nas estradas sob a sua jurisdição.

Pretende fornecer as bases essenciais para que, através da adoção de Boas Práticas na monitorização e registo de fauna por atropelamento, se possa contribuir para o desenvolvimento de esforços na mitigação de mortalidade e prevenção na segurança rodoviária, desde uma escala local a uma escala nacional.
 

Principais ações do Projeto, da responsabilidade da IP:

  • Compilação, estruturação e operacionalização de uma base de dados de atropelamentos de animais nacional;

  • Desenvolvimento de uma aplicação móvel para registo de animais atropelados, gratuita e disponível no google play;

  • Colocação de passadiços para fauna em passagens hidráulicas para permitir que os animais atravessem a via em segurança;

  • Melhoramento de vedações para impedir entrada de animais nas vias;

  • Colocação de redes em taludes para impedir a sua colonização por coelhos, com o objetivo de evitar o seu atropelamento, bem como o dos carnívoros que os predam;

  • Encaminhamento de anfíbios para passagens hidráulicas sob a via, através de barreiras específicas;

  • Instalação de barreiras para elevar o voo de corujas, evitando o seu atropelamento;

  • Instalação de refletores específicos que refletem as luzes dos veículos para o exterior da via, alertando atempadamente as aves noturnas;

  • Criação de um novo sinal rodoviário específico para anfíbios;

  • Controlo de espécies de flora invasora nos taludes das estradas;

  • Criação de micro-reservas em áreas sobrantes;

  • Monitorização da mortalidade da fauna na área do projeto;

  • Ações de voluntariado em prol da conservação da natureza, com os colaboradores da IP e respetivas famílias.

  • Carnívoros a utilizarem Passagens hidráulicas com passadiços para fauna
  • Carnívoros a utilizarem Passagens hidráulicas com passadiços para fauna
Terceiro Conteudo

O Projeto LIFE LINES tem sido amplamente divulgado nos media. Apresenta-se de seguida alguns links para filmes e reportagens sobre o Projeto.

Fotografia: Outdoor do Projeto na EN4 | @Luís Guilherme Sousa 2019

Projeto LIFE IBERLINCE

A Infraestruturas de Portugal tornou-se beneficiário associado do Projeto LIFE+IBERLINCE - Recuperación de la distribución histórica del lince iberico (Lynx pardinus) en España y Portugal (2011-2018) em 28 de junho de 2016.

Este projeto permitiu a continuidade dos processos de recuperação e reintrodução da espécie na natureza, iniciados em projetos LIFE anteriores, e visou particularmente a recuperação da sua distribuição histórica, a qual passa pela coexistência harmoniosa com as atividades humanas, de modo a que este felino selvagem deixe de ser um dos mais ameaçados do mundo.

No âmbito do Projeto, a IP esteve envolvida nas ações de desfragmentação do habitat em estradas pavimentadas e no programa de avaliação dos resultados das ações desenvolvidas. As medidas implementadas pela IP têm como objetivo diminuir a mortalidade dos linces por atropelamento e aumentar a conetividade entre os territórios separados pelas vias.

A primeira fase de reintrodução do lince-ibérico localizou-se no Parque Natural do Vale do Guadiana, na zona de Mértola, pelo que as atividades promovidas pela IP se desenvolveram essencialmente nas estradas que atravessam este território. Assim, atuou-se nas seguintes estradas: ER265, EN122, IP2, ER123 e ER267, numa extensão total de cerca de 200 km.

Os trabalhos desenvolvidos contemplaram a ceifa da vegetação das bermas para aumentar a visibilidade dos condutores e afastar os animais da via, a instalação de sinalização de perigo específica para o lince-ibérico (um sinal inovador criado em colaboração com a IP e que foi recentemente homologado), sinais de limite de velocidade (70 km/h) e bandas cromáticas redutoras de velocidade. Foram também adaptadas 4 Passagens Hidráulicas com passadiços secos para oferecer aos animais, alternativas de atravessamento em segurança.  

O Projeto terminou em 2018 com uma taxa de sucesso elevada, e o Vale do Guadiana tornou-se uma das áreas de reintrodução com maior sucesso a nível ibérico (ICNF, 2019 - Nota de Imprensa). Entre 2015 e 2018 foram libertados 37 animais que estabeleceram territórios no Vale do Guadiana e identificaram-se 36 crias nascidas na natureza.

No entanto, o risco de atropelamento continua a ser uma ameaça para a espécie, pelo que a IP reforçou recentemente as medidas aplicadas, tendo outras previstas para breve. Assim, no início de 2019 foi instalado um sistema para controlo de velocidade na EN122 (no troço onde foram atropelados três linces entre 2018 e 2019), e em 2020 foram instalados painéis de limitação de velocidade na ER267, a pedido do ICNF (por ter sido registada a passagem de linces no local).

Após a conclusão do Projeto, Portugal e Espanha uniram-se mais uma vez para submeter ao Programa LIFE da União Europeia, um novo Projeto – Projeto LynxConnect - que permitirá consolidar e prosseguir os objetivos da reintrodução e da presença do lince, como espécie de topo e fator promotor de equilíbrio e valorização dos ecossistemas mediterrânicos. 

  • Sinal rodoviário relativo ao Lince-ibérico
  • Passagem Hidráulica com passadiço para fauna
Projeto LYNXCONNECT

Na sequência da candidatura IBERLINCE, a IP integra nova candidatura no âmbito do Programa LIFE, designada LYNXCONNECT (LIFE 19 NAT/ES/001055), sendo o beneficiário coordenador a Consejería de Agricultura, Ganadería, Pesca y Desarollo Sostenible de la Junta de Andalucia, contando com beneficiários espanhóis (17 entidades) e portugueses (ICNF e CIMBAL).

O projeto visa criar uma metapopulação de lince-ibérico (Lynx pardinus) genética e demograficamente funcional.

A candidatura, que se iniciou em setembro de 2020 e terminará em 2025, assenta dois grandes focos:

  • Aumentar a população de lince-ibérico no mundo;
  • Garantir a ligação entre os núcleos de lince já existentes, para evitar problemas de consanguinidade e garantir uma população viável e autossustentável, reforçando a conectividade entre as subpopulações de Portugal e Espanha. 

Os objetivos específicos a atingir são: 

  • Passar de espécie “Em Perigo de Extinção” para espécie “Vulnerável” (classificação UICN - União Internacional para a Conservação da Natureza);
  • Consolidar os núcleos de lince já existentes e criar 2 novos, minimizando perdas genéticas de diversidade;
  • Implementar medidas para reduzir riscos de mortalidade por causas não naturais;
  • Incrementar o envolvimento dos stakeholders locais.

Principais ações do Projeto, da responsabilidade da IP:

  • A1 - Jornada de formação e adoção conjunta de protocolos desenvolvidos no Iberlince
  • C3 - Melhoria da conectividade entre áreas: Atuações de desfragmentação de habitat
  • D6 - Monitorização das atuações de desfragmentação
  • E4 - Ações de divulgação para todos os públicos


O custo total de investimento global da candidatura ascende a 18,7 milhões de euros com uma taxa de comparticipação de 60,67%. O investimento correspondente às atividades da IP totaliza cerca de 0,6 milhões de euros, sendo a maioria deste investimento referente à melhoria da conectividade entre áreas com atuações de desfragmentação de habitat.

 

Projeto “Avaliar o impacto da mortalidade em populações de vertebrados em estradas do Alto Alentejo, e sua relação com o uso de passagens hidráulicas”

No âmbito de um protocolo entre a IP e a Universidade de Évora para «Avaliar o impacto da mortalidade em populações de vertebrados em estradas do Alto Alentejo, e sua relação com o uso de passagens hidráulicas», foi elaborado um estudo que avaliou a utilização de passagens hidráulicas pelos vertebrados, o impacto da mortalidade nas suas populações e a sua relação com o uso das passagens, e a importância das características da paisagem e das estradas na mortalidade.

Veja aqui o Relatório Final: