Inaugurado a 5 de outubro de 1916, o edifício que hoje conhecemos assinala 110 anos. Mas a história ferroviária de São Bento começou duas décadas antes, quando o comboio chegou ao centro do Porto.
Há 130 anos, o caminho de ferro chegava ao coração do Porto. Em 1896, a abertura da Linha Urbana permitia aos comboios avançar de Campanhã até São Bento, onde uma estação provisória assegurava a ligação ferroviária ao centro da cidade.
O edifício que hoje reconhecemos como um dos símbolos do Porto surgiria vinte anos mais tarde.
A 5 de outubro de 1916 era inaugurada a Estação de São Bento, construída no local do antigo Convento de São Bento de Avé Maria. O projeto, da autoria do arquiteto portuense José Marques da Silva, deu à cidade um edifício monumental, organizado em torno da gare e da ampla marquise metálica que cobre as linhas e plataformas.
Nascia uma estação destinada a receber quem chegava à cidade e a acompanhar quem dela partia. Um lugar ferroviário que, ao longo de mais de um século, se tornaria também lugar de encontro, de passagem e de memória.
Uma história contada em azulejo
É no vestíbulo que São Bento revela uma das suas características mais singulares. As paredes são revestidas por mais de 20 mil azulejos concebidos por Jorge Colaço, onde episódios da História de Portugal convivem com cenas do quotidiano, do trabalho e dos costumes, numa composição que integra também uma representação da evolução dos meios de transporte.
Mais do que ornamentar a estação, os painéis transformaram o espaço de chegada e partida numa narrativa visual que continua a surpreender quem o atravessa.
Arquitetura, ferrovia e arte encontram-se, assim, num mesmo edifício
Classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1997, a Estação de São Bento reúne no conjunto protegido o edifício, a gare metálica, os painéis de azulejos e a boca de entrada do túnel, reconhecendo-se o valor patrimonial de uma infraestrutura que continua plenamente integrada na vida da cidade.
110 anos depois, uma estação que continua em movimento
São Bento não ficou parada no tempo. Ao longo dos anos, o edifício foi sendo objeto de ações de conservação e valorização, conciliando a preservação do seu património com novos usos e serviços. A vertente comercial, a hotelaria, a restauração e as iniciativas culturais convivem hoje com aquela que continua a ser a sua função essencial: a operação ferroviária e o serviço aos passageiros.
Diariamente, continua a servir as ligações ferroviárias regionais e suburbanas, num movimento permanente de passageiros que prolonga a história iniciada em 1896.
O aniversário assume um significado particular em 2026, ano em que Portugal assinala 170 anos de caminho de ferro. Desde a viagem inaugural entre Lisboa e o Carregado, a 28 de outubro de 1856, a ferrovia tem acompanhado a transformação das cidades, da mobilidade e do próprio país.
São Bento faz parte dessa história. Da chegada do caminho de ferro ao centro do Porto à estação que hoje conhecemos, passaram por este lugar gerações de passageiros, partidas, chegadas e viagens. Mudaram os comboios, a cidade e a forma de viajar. Permaneceram a arquitetura de Marques da Silva, os azulejos de Jorge Colaço e a função ferroviária que esteve na origem da estação.
Aos 110 anos, Porto-São Bento continua em movimento e a escrever um dos capítulos mais marcantes dos 170 anos do caminho de ferro em Portugal.