SUDOE STOP CO2 certifica estações ferroviárias

2019-06-27

A ADENE – Agência para a Energia acaba de atribuir um prémio à Estação de Entrecampos por ter sido a primeira estação ferroviária do país a obter o selo SUDOE STOP CO2. 

Foram também entregues diplomas e Selos STOP CO2 às estações de Benfica, Rossio, Sintra e São Bento, que obtiveram a classificação de “3 árvores em 5” estando esta classificação em linha com a maioria das estações congéneres europeias integradas na rede, ainda que com potencial de melhoria. 

Em processo de avaliação encontram-se atualmente as estações de Aveiro, Guimarães, Espinho e Oriente.

 

                           Estação de Entrecampos

A cerimónia decorreu na sede da IP, no Campus do Pragal, durante o seminário “Gestão Sustentável de Energia em Infraestruturas de Transportes”, onde foram apresentados os resultados do Projeto SUDOE STOP CO2, promovido no âmbito do programa Interreg Sudoe e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Seminário STOP CO2_Gestão Sustentável de Energia em Infraestruturas de Transportes

O SUDOE STOP CO2 destina-se a Portugal, Espanha e França e tem como objetivo melhorar as políticas de eficiência nos edifícios públicos e na habitação, contribuindo quer para a resolução das insuficiências de construção destes edifícios, com vista à redução da sua fatura energética e impacto ambiental, quer para o desenvolvimento de redes e para a partilha de experiências. O Projeto assenta no princípio de que as estações e interfaces de transportes devem ser geridos de forma exemplar, não só pelo serviço público que prestam mas também por constituírem pontos de passagem diária de milhares de cidadãos.

Com o objetivo de desenvolver uma rede de estações sustentáveis no Sudoeste europeu, o SUDOE STOP CO2 concebeu uma ferramenta de autoavaliação on-line na qual cada gestor introduz os dados energéticos da sua estação. A ferramenta classifica a eficiência das estações num intervalo de 1 a 5 “árvores”, que indicam o seu contributo para uma economia de baixo carbono. Em causa está não apenas o edifício mas os seus interfaces e a sua relação com outros modos de transporte, ciclovias, parques para bicicletas, carregamentos elétricos, entre outros.

Pretende-se, com as ferramentas desenvolvidas no âmbito do SUDOE STOP CO2, apoiar os gestores das estações e interfaces de transporte na adoção das melhores práticas de gestão de energia – sobretudo ao nível da iluminação, dos elevadores e escadas rolantes e da produção de energia renovável – aumentando a eficiência, e reduzindo as emissões de CO2 e os custos de exploração.

Salvo em casos como o da Estação de São Bento, classificada como “Imóvel de Interesse Público” e inscrita na lista do Património da Humanidade pela UNESCO – o que exige medidas especiais de salvaguarda e proteção do património – o retorno do investimento nas medidas de eficiência energética acontece ao fim de três ou quatro anos, permitindo reduções importantes no consumo energético e na pegada ambiental.

Nas estações de Benfica e da Amadora introduziu-se iluminação com tecnologia LED, visando a redução do consumo em 75 mil kWh/ano e, consequentemente, da fatura energética em cerca de 12 mil euros/ano, com um período de retorno do investimento de quatro anos. Nos elevadores efetuou-se, a nível nacional, a substituição integral da iluminação em 218 cabines, com uma expetativa de redução do consumo em 120 mil kWh/ano e da fatura energética em cerca de 19 mil e 200 euros/ano, para um período de retorno do investimento de 1,3 anos.

Ao nível da regeneração de energia em equipamentos, instalaram-se os primeiros sistemas com tecnologia inovadora nos quatro elevadores do Campus do Pragal e em quatro escadas rolantes na estação de Queluz-Belas, possibilitando que a energia desperdiçada em sistemas tradicionais seja reutilizada na rede elétrica do edifício e da estação.

Quanto às energias renováveis, instalaram-se diversos sistemas solares térmicos para pré-aquecimento de águas quentes sanitárias em edifícios operacionais (Tunes, Ermidas do Sado, Vendas Novas, Campolide, Castanheira do Ribatejo, Entroncamento). A redução estimada do consumo é de 55 mil e 500 kWh/ano e da fatura energética em cerca de 6 mil euros/ano, com um período de retorno do investimento de cinco anos.

Encontram-se em curso diversos projetos de instalação de sistemas solares fotovoltaicos para produção de energia elétrica para autoconsumo, quer em coberturas de edifícios quer em sistemas tipo carport em parques de estacionamento.

 

SUDOE STOP CO2

Este projeto foi aprovado no âmbito do Programa de Cooperação Interreg V-B Sudoeste Europeu (Interreg Sudoe) cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

O objetivo é a criação de uma rede de estações sustentáveis onde os gestores dos edifícios e outros agentes-chave dos setores da edificação e do transporte partilham experiências e soluções que melhorem a eficiência energética.

A ADENE é parceira do projeto e procurou a colaboração e apoio da IP, atendendo à gestão de infraestruturas ferroviárias - Estações.