Prémio Arquitetura do Douro 2019 distingue Centro Interpretativo do Vale do Tua

2019-12-17

Susana Rosmaninho e Pedro Azevedo, arquitetos responsáveis pelo projeto do Centro Interpretativo do Vale do Tua, na Estação Ferroviária do Tua, foram galardoados com uma menção honrosa do Prémio Arquitetura do Douro 2019.

A obra, inaugurada a 21 de Fevereiro de 2018, foi descrita pelo júri como “um notável projeto de reabilitação, reutilização e valorização de icónicos armazéns devolutos ou abandonados”.

O Prémio Arquitetura do Douro é um concurso bienal que procura distinguir e promover boas práticas do exercício da arquitetura realizadas na região após a inscrição do Alto Douro Vinhateiro na Lista do Património Mundial da UNESCO (14 de Dezembro de 2001).

Lançado em 2006 por ocasião das comemorações dos 250 anos da Região Demarcada do Douro (RDD), o galardão destina-se a promover a cultura arquitetónica e as boas práticas do exercício da arquitetura na paisagem de uma região protegida como é a NUT III Douro.

O júri do Prémio Arquitetura do Douro 2019 atribuiu o 1º prémio ao arquiteto Eduardo Souto de Moura pela obra da Central Hidroelétrica do Tua: “É decisiva e determinante a intervenção da Arquitetura, enquanto metodologia disciplinar, na construção da Central Hidroelétrica do Tua, acima de tudo, por assegurar a manutenção do Douro Vinhateiro como Património da Humanidade”.

O júri deste ano foi composto pela CCDR-N, Ordem dos Arquitetos Secção Regional Norte, Entidade Regional do Turismo Porto e Norte, Direção Regional de Cultura do Norte e arquiteto Álvaro Andrade, vencedor da última edição do Prémio.

O Centro Interpretativo do Vale do Tua (CIVT) é uma iniciativa da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), entidade que agrupa os municípios de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor, e que resulta das medidas de compensação da EDP para o território, decorrentes da construção do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua.

O polo museológico, que envolveu um investimento de cerca de dois milhões de euros, ocupa dois cais cobertos da Estação do Tua, reabilitados para o efeito, através de um contrato de subconcessão dos dois edifícios à ADRVT, válido por 25 anos.

Os dois imóveis inseridos no domínio público ferroviário (DPF), com uma área total de 809 m2, situam-se na Estação do Tua ao km 139,828 da Linha do Douro. Um edifício funciona como espaço de acolhimento e centro de promoção turística e o segundo alberga a exposição museológica permanente e exposições temporárias num espaço polivalente.

Segundo os promotores do projeto, o CIVT é “um espaço de excelência para a preservação da memória do Vale do Tua, consagrando a Linha Ferroviária do Tua e promovendo a história deste território, a sua importância económica, social e cultural”.

Este espaço interpretativo pretende dar a conhecer o antigo vale antes da construção da barragem, quer na sua dimensão geológica e natural, quer na sua dimensão humana.

A Linha do Tua é um dos principais temas presentes e, segundo a ADRVT, pretende-se “levar o visitante a recordar o caminho-de-ferro e compreender a realidade local, podendo envolver-se com o sentimento dos habitantes pela perda do acesso ao comboio. A ligação entre a via-férrea e os residentes do Douro e Trás-os-Montes é o momento que se celebra”.