Dom Sebastião regressa ao Rossio

2021-07-21

Foi hoje colocada no nicho da fachada da Estação Ferroviária do Rossio uma réplica da estátua de D. Sebastião, destruída em 2016 por um indivíduo que se pendurou na mesma para tirar uma selfie. A sua produção foi adjudicada pela Infraestruturas de Portugal (IP) ao escultor e restaurador Pedro Lino, da empresa Pigmento Efémero – Artes e Restauro. 

A decisão da IP ao colocar uma réplica na fachada da estação deve-se ao facto de a escultura original estar vulnerável, por ter perdido propriedades físicas e químicas devido à qualidade da pedra e à idade da mesma.

Executada em calcário branco semirijo, a produção da réplica demorou cerca de quatro meses, de acordo com um planeamento de trabalhos que envolveu a realização de moldes e contramolde do modelo original, que se encontra guardado no Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto, em Lisboa.

Pedro Lino (n. 1980) é natural da freguesia das Cortes (Leiria), estudou Cantaria Ornamental na Escola de Artes e Ofícios da Batalha e fez uma especialização em Conservação e Restauro em Lisboa. Participou em várias exposições individuais e coletivas, e colabora com a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), empresas e museus em trabalhos de restauro e conservação, além de se dedicar à criação das suas próprias esculturas.

O restauro da estátua de D. Sebastião foi executado pela conservadora Bruna Pereira de Oliveira e adjudicado à empresa Água de Cal, tendo sido concluído em agosto de 2020. 

Desfeita em 90 fragmentos que os serviços da IP recolheram na sua totalidade, a escultura – que muitos consideraram irrecuperável – foi restaurada peça a peça, num trabalho moroso e de elevado grau de complexidade. 
 

Estátua original no átrio da estação

A estátua original será colocada no átrio inferior da estação, num local visível, mas protegida por uma estrutura de vidro, cujo projeto aguarda a apreciação da DGPC.

A estátua de D. Sebastião é da autoria do escultor francês Gabriel Farail (1838-1892) – está assinada na zona lateral do escudo – e decorava a fachada neogótica do edifício da estação, projetado por José Luís Monteiro, e inaugurado ao público em 11 de junho de 1890.

A escultura derrubada teve ao longo dos anos algumas pequenas alterações, detetadas em fotografias da época.